sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Juventude



Sinto a juventude.
Aquela que revigora a cada instante.
Juventude da velha infância.
De corações puros e mentes flamejantes.
Sinto mais que tudo,
A experiência adquirida.
Sinto a vida passando
Sinto a saudade, sinto a morte, sinto cauterizar as feridas.
Sinto a juventude.
Plena. Soberba. Austera. Cheias de certezas incertas.
Juventude que na casca não dura pra sempre,
Mas na mente prospera.
Há de prosperar.
Juventude sincera.
Alheia ao tempo, alheia ao céu e a terra.
Sejamos jovens para sempre,
Pois o tempo não espera.


Guilherme S. de Almeida**

Arduo Desapego



Preciso de algo como estar em lugar nenhum.
Algo que me deixa livre dos fantasmas da vida.
Simplesmente ser algo, em toda sua complexidade, simples.
Preciso estar livre.
Como dizem; com a alma livre.
Pensamentos sem vaidades.
Algo de livre e espontânea vontade.
Alguém de verdade.
Que de verdade, viverá a realidade.
Será que é querer demais não querer muito?
Ou o que quero é demais pra um só mundo?
Liberdade tem seu preço.
Cobra caro, pois, tem que se livrar de tudo.
Do preto e do branco.
Do alto e do baixo.
Do claro e do escuro.
Desprender-se das coisas sempre deu mais trabalho.
No atrair, eu me faço.
A liberdade manifesta o desapego,
Mas em me desfazer, eu fracasso.


Guilherme S. de Almeida**

Ainda Há Tempo?



E me pergunto se ainda há tempo.
Se ainda há chances,
Como as que tínhamos quando éramos um pouco mais criança.
Os medos que me tomam, ainda perseveram.
Não saber se já os tinha ou se foram aflorados,
É o que me deixa apavorado.
Pessoas me despertam sentimentos.
Situações também me fazem ter esse medo.
O medo de não conseguir controlar meus próprios dizeres
De não saber o que é certo ou errado.
Prepotente julgamento de querer ser.
Em uma vida que a todo instante te da algum aprendizado.
Estamos sim jogados as traças do pensamento inconsciente.
Lutando constantemente, contra esse agente,
Que nos deixam estupefatos.
Tudo que nos cabe e que gostamos,
Nem sempre é o que parece.
Fazemos parecer aos outros que sabemos tudo,
Mas quando tudo vem à tona,
Estamos sempre surpresos com o que acontece.


Guilherme S. de Almeida**

Vida Amada



Há algo em mim que já não me convém.
Amar por interesse do próprio bem.
Assim mesmo, como todos o fazem.
Sem hipocrisia, sem precisar de uma base.
Os apaixonados correm atrás dos seus amores,
Para que de volta recebam um agrado.
Não que seja de todo ruim,
A recíproca quando existe, te tira das costas um grande fardo.
Dinâmica estranha essa do gostar sem recalques.
O interesse próprio sempre fala mais alto.
Aprisionam-se os corações, os desejos, a liberdade e seus feitos de bom grado.
Procuro o amor verdadeiro.
Aquele meu gostar por inteiro.
O gostar de todos os seres sem cativeiro.
O amor pelo mundo.
Aquele que ainda, as avessas escondidas.
O verdadeiro amor que se pode ter.
O amor que temos pela vida.


Guilherme S. de Almeida**

Alma Marginal



Nos mais altos pensamentos
Sozinho a pensar.
Na vida em que a vida me colocou
E me deixou estar.
Com alguns vícios e preconceitos,
Vou levando com jeito
Sei o que é direito,
Mas pra que tanta gente agradar.
Pessoas querem demais de um pobre ser.
Coisas que eu nem quero saber.
Vivem por viver.
Pensam estar no centro, mas, perduram às margens dos pensamentos.
Desses pensamentos que faz a composição do saber.
Saber que pode tudo.
Saber que não tem direito a nada.
Saber que nada sabe,
Pelo simples fato das vontades que foram frustradas.
Quero sim, um presente da alma.
A luz que liberta do vicio,
De coisas e situações que levam ao comodismo,
Que me tiram, e que me ofereçam um pouco de calma.


Guilherme S. de Almeida**

Estrela Solitaria do Mar



Venho de leve o vento sentindo.
Linda brisa do mar caindo.
Areia branca, lindas conchas.
Percebo estrelas do mar, trazidas contra a própria vontade.
O mar que dá a vida, faz igual a vida, e às vezes, te afronta.
Por que reclamo como a estrela do mar,
Que repousa na areia, mesmo não querendo estar?
Ela está morta.
Sem mar ela não sobrevive.
E na vida sem ninguém,
Na solidão me contive.
Escravo do amor,
Como a estrela marítima, que precisa do mar.
Foi se aventurar na areia e se arriscar.
Só não se sabe se veio por si só,
Ou se é culpa do mar.


Guilherme S. de Almeida**

Prepotencia do Saber



Saber quem você é.
Saber quem é você.
Saber de cada dia que se vai,
Saber de cada amanhecer.

Sabemos o que queremos
Mas às vezes não sabemos o porquê.
Porque às vezes o que precisamos,
São coisas que nem precisamos saber.

Temos a escolha do saber
Temos a escolha do querer
Resta-nos toda essa vida para aprender.

Levando a serio o que de fato é
Querer não é poder se ficar sentado
Mas o poder vem de muito querer estar em pé.


Guilherme S.de Almeida**

Intima Consciencia



Ah! Aquela intimidade de comigo mesmo confidenciar os maiores absurdos.
Consciência que assusta a maioria do mundo.
Aquela que pesa nos pensamentos culpados,
E alivia a alma dos afortunados.
Só eu sei o que em mim, é mais maléfico.
Dizeres que me alertam e remetem ao medo,
Mas que, outrora, salvam dos arroubos da realidade cruel.
Doce afinidade com o próprio ser.
Estranha conduta ética que definha verdades.
Faz-me crescer,
Faz-me ser.
Hora o que quero,
Hora o que eu não quero ser.


Guilherme S. de Almeida**

Amor Presente



Pode ter o que quiser meu amigo.
Amor pelo amor.
Amor sem compromisso.
Amar por amar,
Aquele amor sem juízo.
Pode pensar em amor,
Ou amar até mesmo quem não te ama.
Pode se deixar até ser amado,
Mas o coração nunca se engana.
O amor desconhece o amado, o tempo, e a distancia.
Se pra amar é preciso estar perto,
Torna-se o amor, uma idéia insana.
Verdadeiro amor é compartilhado.
Não é egoísta, nem canalizado.
Se o faz com tamanha energia de vida,
Causará-te magoa e o amor será banalizado.
E como tudo que acontece na vida,
Parece que vivemos para falar que tudo foi passado,
Não vivemos o presente, nem apreciamos quem está do nosso lado.
Por simples orgulho e vícios do passado,
E por achar que vai ser melhor no futuro.
Sendo que, o que temos de melhor é o presente,
O resto não passa de um quarto escuro.


Guilherme S. de Almeida**

Liberdade Comprada



Difícil saber que a verdade já não há.
O mundo inteiro, com sonhos verdadeiros,
A cada amanhecer, veste sua mascara, saem para trabalhar, enfim, labutar contra seus princípios e virtudes,
Para agradar o mundo verdadeiro da falsidade, das futilidades, de vidas vazias e sem luz.
As suas atitudes não correspondem à verdade.
Percebem isso, mas falta-lhes a coragem.
Comandados coitados.
 Pensam que estão livres, mas, tem que comprar a própria liberdade para satisfazer a alma vazia, deste, e do outro lado.
Aos mascarados, da fantasia da vida, a mensagem está dada.
Se ainda estão alienados, meu lamento é verdadeiro.
Comprem sua liberdade e seu apelo, mas não se esqueçam que, essas coisas, não podem ser compradas.
Escondem-se atrás de bibelôs.
Para não mostrarem o que há de real.
Que almas envenenadas, já não valem mais nada.


Guilherme S. de Almeida**

Percepção



O tempo passa de diferentes formas.
Dependendo de qual aspecto se encontra na nossa percepção.
Pro espectador o tempo se arrasta.
Pra quem ta feliz, depressa ele passa.
Para os apaixonados ele nunca passa.
Para os pensadores, ele é necessário.
Pra quem está magoado, ele é perdido.
Pra quem perdoa, um aprendizado vivido.
Pra quem magoa, tenta fazer com que seja banido.
Na verdade, tempo e suas conseqüências são uma ilusão.
Deve-se enxergar no tempo que passou,
Um tempo vivido.
No tempo que se está,
Um tempo assumido.
No tempo que virá,
Um tempo a ser cumprido.


Guilherme S. de Almeida**

Ilusão do Tempo



A cada Tic-Tac, um momento mais lindo.
A cada passar das horas, mais um momento que está indo.
Tudo vai mudar.
Das coisas mais imperfeitas,
Da vida que guarda o tempo e não se deixa passar.
O tempo passado nos ensina,
Que o tempo que virá,
Tornar-se-á nossa sina.
Nosso tempo, no templo da ilusão.
Uma ilusão que precisamos.
Independente do tempo, dos ensinamentos e da situação.
O tempo é, pra cada um, aquilo que se espera.
Na esperança o tempo vive,
O tempo morre,
O tempo eterno sobrevive.

Guilherme S. de Almeida**

Horizontes



Sabia que quando via a linha do horizonte,
Ela realmente não existia.
Quanto mais ia à sua direção,
Mais eu via novos caminhos, novas alegrias.
Coisas ainda não exploradas.
E como há coisas não exploradas.
Encarei-a como uma ilusão que te impede de enxergar além dos montes, além dos problemas,
Pois quando nos encaramos,
Percebi que não havia jeito de encarar.
Ela vai estar sempre lá, longe do nosso alcance, para que tenhamos coragem de seguir, curiosidade e vontade de continuar.
Sempre haverá novos horizontes.
Novas possibilidades, novas chances.
Siga! Coragem!
Vá ver alem dos horizontes.


Guilherme S.de Almeida**